03/09/2008

UM ETERNO NÃO SEI...

TUDO NOVO, revirado, remexido.
Tira o machucado
Tira o estragado
Tira o que tá sujo
Tira o mofo, o poço
Tira o nosso, incompleto, invisível, previsível.
Desato os nós do passado, para me emaranhar no que há de acontecer
Hoje, de novo como ontem ou amanhã
Hoje, outra, mais uma, a mesma, eu
Identidade camuflada, escancarada
Arranco a máscara do não existir
Tiro o véu da insegurança
Sigo, mergulho, avanço, entro, arrombo
Sem dor, sem maldade, sem vontade
Vou
Subo
Olhando para baixo para ver a distância da queda
Certa
Mas subo, levada pelo vácuo da indecisão
Decidi ter a indecisão decidida
Decidi, que decido, por mais indeciso que seja
Decidi
Decidi?
Tentei convencer, não perder, resolver
tentei
tentei
tentei
Rodopiei feito bailarina nos ciclos
Dois ciclos
Diferentes rotações que não se cruzam nunca
Um embaixo outro em cima
Em cima
Embaixo
Paralelo da desunião
União que tornou-se uma busca pelo reflexo do passado
Desejo, vontade, querer
Paixão, tesão, amor, amor, amor, amizade
O que fica?
O que vai embora?
Tudo
Voltamos a estaca zero
Eterno?
Não sei
MEL

Um comentário:

Partido disse...

Repto - Vinicius de Moraes.

Vossos olhos raros

Jovens guerrilheiros

Aos meus, cavalheiros

Fazem mil reparos.

Se entendeis amos

Com vero brigar

Combates de olhar

Não quero propor.

Sei de um bom lugar

Onde contender

E haveremos de ver

Quem há de ganhar.

Não sirvo justar

Em pugna tão vã.

Que tal a amanhã

Lutarmos de amar?

Em campos de paina

Pretendo reptar-vos

E em seguida dar-vos

Muita, muta faina

Guerra sem quartel

E tréguas só se

Pedires mercê

Com os olhos no céu.

Exaustão de gozo

Que tal seja a regra

E longa a refrega

Que aguardo ansioso

E caiba dizer-vos

Que inda vencedor

Sou, de vossos servos

O mais servidor...